Mercado de Games no Brasil é justo?

featgoldps3

‘G1: Games” apresenta estudo dos tributos aplicados sobre os produtos da indústria e como chegamos em um preço final quatro vezes maior do que o original.

Aproveitando o anúncio do lançamento oficial do PS3 no Brasil, no dia 13 de Agosto o G1 publicou uma matéria explicando a tributação a qual os produtos da indústria de jÓgos são submetidos, fator que influencia diretamente o preço que o consumidor final terá de pagar nas prateleiras.

Indo direto ao ponto, no Brasil a carga tributária aplicada é de nada menos que 164% sobre o preço original. Isso me faz questionar: Porque diabos a Sony, que já alegou em nota oficial que o seu Playstation 3 não trará lucro algum à empresa (você não leu o que publicamos sobre isso a alguns dias atrás? Clique aqui e se informe), vem colocar seu produto no mercado nacional? Aonde o Gamer encontra vantagem em pagar mais caro do que se importasse o console por conta própria ou por intermédio de importadores particulares?

Homer quer um ps3

"Queria tanto ter dinheiro para um PS3...."

Observe o quadro de preços comparativo publicado no veículo supracitado:

Consoles Preço nos EUA (média) Preço oficial no Brasil (média)
PlayStation 3 (120 GB) US$ 300 R$ 1.999
Xbox 360 (Arcade) US$ 130 R$ 1 mil
Nintendo Wii US$ 200 R$ 1.200

Vamos a “explicação”: Os vídeogames, por serem importados, implicam às respectivas empresas uma série de tributos para que possa entrar em terras tupiniquins. Esses tributos, além da importação, compreendem o Pis (Programa de Integração Social), Cofins (Contribuição Sobre o Financiamento da Seguridade Social) e IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados), que ainda são somados ao ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços), que é relativo em cada estado da nossa gloriosa república federativa. Novamente, nosso colega Gustavo Petró, do G1, nos fez o favor de ilustrar a incidência individual de cada um em uma tabela de fácil e revoltante compreensão:

Videogame
Classificação fiscal 9504.10.10
Imposto de importação 20%
Pis 1,65%
Cofins 7,60%
ICMS (Estado de SP) 25%
IPI 50%
Substituição tributária Sim

De acordo com os dados acima, um produto que custa R$100,00 vai para as mãos do consumidor final pela quantia de R$264,00. Se você ainda não está se sentindo assaltado, suba a página e comece a ler esse artigo novamente.

Kinect

Quanto será que o Kinect vai custar no Brasil???

A Receita Federal (responsável pelo recolhimento dos impostos, a.k.a. “Quem embolsa o seu dinheiro”) alega que esses impostos são cobrados na intenção de manter uma (prepare-se) “competição saudável” *CAHAM* entre os produtos nacionais e importados. Me desculpem mas, além do Zeebo – com todo o respeito pela Tec Toy –  produzimos mais algum videogame no Brasil? Em Manaus? Isso é sério? Porque isso tudo ainda vai ser adicionado ao valor do transporte do local de fabricação do produto até os portos Brasileiros, ao valor aduaneiro, seguros, custo de manutenção das lojas e lucro para os lojistas (que vai variar entre 9% e 11% nos consoles, e 27% a 30% para os games, segundo o representante da UZ Games). E não esqueçam que o valor do dólar flutua, ok? Mais uma tabela do Gustavão (devidamente ctrl+c e ctrl+v-ed) com uma rápida simulação:

Formação do preço
Venda líquida do produto R$ 100
Pis R$ 2,51
Cofins R$ 11,56
ICMS R$ 38,02
IPI R$ 76,05
Substituição tributária R$ 35,90
Venda com impostos R$ 264,0

O representante da Sony citado em nossa nota anterior, Anderson Gracias, reconhece que o consumidor final é quem arca com toda a carga tributária aplicada, afirmando ser essa a origem da atitude da empresa de arcar com parte do custo do aparelho. Gente boa…

No fim das contas, isso é uma questão em que todos saem perdendo! Não só a empresa deixa de vender mais produtos pelo seu valor alto, como o consumidor não consegue arcar com o preço! Simples movimentação de capital que não acontece! Muitos gamers, frustrados, recorrem à meios ilícitos, como pirataria… E do jeito que as coisas foram na era PS1 e PS2, muitas pessoas ainda tem dezenas de jogos piratas guardados…

A lição que fica disso tudo é: Precisamos tomar uma iniciativa… E alguns já estão tomando! Moacyr Alves Junior começou o projeto Jogo Justo, que busca diminuir a carga tributária nos jogos importados vendidos aqui no Brasil. Seu objetivo é mostrar um relatório baseado em informações comerciais de desenvolvedores e lojistas que o mercado de games nacional tem um enorme potencial. Como comparação, ele utiliza o que ocorreu no México, quando o mercado de jogos cresceu 8 vezes após a diminuição da carga tributária. Como diz o próprio site do projeto:

“O Projeto Jogo Justo visa diminuir o preço dos games, dos aparelhos de videogame e de seus periféricos, fazendo assim com que o consumidor final tenha cada vez mais contato com os games, forma de cultura cada vez mais disseminada do mundo. Como consequência disto, o mercado nacional irá se desenvolver, além da possibilidade de mais produtoras se instalarem no Brasil, gerando de uma forma gradativa, mais empregos no setor.

Esta idéia foi criada dentro de uma comunidade e independe de ordem política, empresarial e da geração de lucros.
Começou a ganhar forma no segundo semestre de 2010 e no mês de novembro encontrará seu primeiro desafio, quando mostrará todo o seu potencial para a Receita Federal. Durante uma conversa em Brasília, serão apresentados os benefícios de se diminuir a carga tributária dos jogos vendidos no Brasil, onde os games passariam de R$ 250,00 para R$ 99,00
Caso seja aprovada pela Receita Federal, o plano poderá entrar em vigor já no início de 2011″

É galera… se a gente não conseguir que idéias como essas cheguem longe… vamos ter que desembolsar…

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